Os segredos do lítio português: riqueza ou destruição?
Investigação de seis meses sobre as reservas de lítio em Portugal e o conflito entre desenvolvimento económico e preservação ambiental.
Uma investigação de seis meses percorreu as serras do norte de Portugal para contar a história de um recurso que pode transformar o país — ou devastá-lo.
O ouro branco do século XXI
Portugal possui uma das maiores reservas de lítio da Europa. Este mineral, essencial para as baterias de carros elétricos e armazenamento de energia renovável, tornou-se o centro de uma batalha entre o desenvolvimento económico e a preservação ambiental.
A nossa equipa viajou durante seis meses pelas regiões de Trás-os-Montes e Alto Minho, onde as concessões mineiras ameaçam aldeias centenárias, aquíferos subterrâneos e ecossistemas únicos.
As comunidades divididas
Em Covas do Barroso, a população está dividida. De um lado, os que veem na mina uma oportunidade de emprego numa região em desertificação. Do outro, os que temem a destruição irreversível de uma paisagem classificada como Património Agrícola Mundial pela FAO.
"O lítio pode dar trabalho a 200 pessoas durante 20 anos. Mas esta terra dá-nos de comer há 2000 anos", afirma Manuel Ribeiro, agricultor de 67 anos.
O que está em jogo
As reservas portuguesas de lítio são estimadas em 60 mil toneladas. Ao preço atual de mercado, representam um valor potencial de mais de 3 mil milhões de euros. Mas os custos ambientais — contaminação de águas, destruição de biodiversidade, emissões de CO2 da extração — são difíceis de quantificar.
O futuro
O Governo português encontra-se numa encruzilhada: abraçar a transição energética explorando o lítio nacional, ou proteger o património natural que define estas regiões. A resposta a esta questão definirá o futuro do interior de Portugal.